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Definição

Do que trata esta área técnica?

O service design ajuda a criar serviços ou a melhorar os já existentes, procura torná-los mais úteis, utilizáveis e desejáveis para os utilizadores, bem como mais eficientes e eficazes para as entidades. Tem muitos pontos em comum com outras áreas ou abordagens como o design thinking ou o User Experience (UX Design).

É uma abordagem centrada no ser humano, colaborativa, interdisciplinar e iterativa. Recorre à pesquisa, à prototipagem e a um conjunto de atividades e ferramentas de fácil acessíveis para criar experiências que atendam às necessidades das organizações, do utilizador e dos stakeholders do serviço.

O service design pode manifestar-se de várias formas:

  • Como um modelo mental
  • Como um processo
  • Como uma caixa de ferramentas
  • Como uma linguagem interdisciplinar
  • Como uma abordagem de gestão
No contexto da Administração Pública (AP), o service design permite o (re)desenho e a melhoria dos serviços públicos digitais, de forma a aumentar a qualidade e a experiência para os utilizadores.

Benefícios

Por que é importante?

O service design considera todo o ecossistema dos serviços públicos digitais, de forma a equilibrar as necessidades da entidade e do negócio, com as dos utilizadores, através de um processo criativo centrado no ser humano.

As entidades enfrentam o desafio diário de proporcionar novos e melhores serviços, ao promoverem experiências que são transversais a todos os canais. Neste sentido, as entidades podem aplicar o service design para:

  • Focar a solução no problema, através da identificação do problema ou da oportunidade a resolver
  • Investigar e questionar o “como e porquê?”, através de métodos de research, que permitem entender e identificar as reais necessidades dos utilizadores
  • Melhorar os serviços que proporcionam e desenvolver novas propostas de valor
  • Equilibrar as necessidades operacionais do negócio com as necessidades dos utilizadores
  • Realizar breves testes para validar possíveis soluções de forma rápida e com baixo custo
  • Fundamentar decisões em evidências, de forma a garantir que as soluções são construídas com base em pesquisa e testes
  • Trabalhar de forma mais eficiente e colaborativa, ao juntar pessoas com diferentes experiências e responsabilidades em torno de um objetivo comum

Princípios de service design

O que é importante saber?

No livro “This is Service Design Thinking”, os autores Marc Stickdorn, Markus Hormess, Adam Lawrence e Jakob Schneider reuniram os seis princípios do service design, com especial ênfase na iteração: começar com experiências pequenas e simples, aceitar e aprender com os erros e adaptar o processo.

1. Centrar o serviço no ser humano, através da experiência de todas as pessoas afetadas pelo serviço.
2. Colaborar de modo ativo com os stakeholders no processo de desenho do serviço, independentemente do contexto ou função.
3. Promover a iteração dos protótipos do serviço no processo para a implementação, através de uma abordagem exploratória, adaptativa e experimental.
4. Visualizar e pensar o serviço como uma sequência de ações inter-relacionadas.
5. Perceber as reais necessidades do utilizador e prototipar as ideias com base na pesquisa.
6. Desenhar um serviço holístico, que considere, de modo sustentável, as necessidades de todos os stakeholders.

Processo de service design

Qual o padrão de design a seguir?

Os melhores processos de design são aqueles que se adaptam ao problema a resolver. O processo de cada projeto depende sempre da entidade, do desafio e da sua complexidade, bem como das pessoas envolvidas, do orçamento, do prazo e outros fatores.

Todos os processos de design exigem um padrão recorrente que ajude a criar e reduzir opções:

  • Durante a pesquisa, descobre-se o máximo possível, através de métodos de research, cujos resultados são depois analisados para extrair as conclusões mais relevantes
  • Durante a ideação, criam-se as oportunidades que são filtradas através de processos de tomada de decisão, com o objetivo identificar as ideias mais promissoras
  • Na prototipagem e implementação, exploram-se e constroem-se as potenciais soluções que são depois testadas e avaliadas

Independentemente do projeto, é sempre preciso compreender as necessidades do utilizador e trabalhar de forma iterativa. Os processos de design não são lineares nem fechados e promovem a iteração e evolução, avançando e adaptando-se.

Estratégia

Qual a visão de service design na Administração Pública?

Nos últimos anos o setor público tem investido de forma significativa na transformação e modernização dos serviços digitais. Conceitos como “digital by default” exigem uma atenção crescente à experiência digital das pessoas, em paralelo com os esforços de manutenção e evolução dos serviços presenciais.

A transformação digital obrigam a verificar a adequação das soluções tecnológicas, em função das tecnologias emergentes e da capacidade crescente dos sistemas de informação.

O (re)desenho de processos e a otimização de recursos materiais, humanos e tecnológicos permite reduzir a despesa pública e melhorar a prestação de serviços da AP. A redução da despesa pública e a eficiência da gestão e da prestação de serviços são objetivos macro do processo de simplificação administrativa, que visa aumentar a eficiência dos serviços na melhoria da gestão pública.

Este movimento exige inovação para combater a burocracia, através da procura de soluções que eliminam os procedimentos sem utilidade e simplificam os são necessários.

Os service blueprints permitem às organizações compreender o serviço na sua globalidade. Através do mapeamento de todas as dependências é possível identificar as causas principais dos problemas, descobrir oportunidades de melhoria e aumentar a eficiência e eficácia do serviço.

Service blueprint

Que ferramentas de apoio existem?

As ferramentas de service design têm uma estrutura específica ou baseiam-se em modelos de referência, como a criação de personas (perfis representativos dos utilizadores), mapas de jornada ou storyboards (representações visuais de uma sequência de acontecimentos), entre outras.

Uma das principais ferramentas é o service blueprint. Pode ser considerado uma extensão dos mapas de jornada, mas acrescenta níveis de detalhe adicionais que ilustram as relações e dependências entre todos os elementos que fazem parte da jornada do utilizador dentro de um serviço.

As suas principais vantagens são:

  • Obter uma visão clara dos processos organizacionais estabelecidos
  • Melhorar os processos internos de um serviço
  • Otimizar a experiência da pessoa em contacto com a empresa

Os service blueprints organizam-se para ligar a experiência dos utilizadores às ações de frontstage (ações visíveis para o utilizador) e de backstage (ações internas da organização), bem como aos processos de suporte que sustentam o serviço.

Evidências físicas

Elementos do serviço com os quais o utilizador tem contacto. Mensagens enviadas por canais não físicos (e-mail ou SMS) também fazem parte desta categoria.

Ações do utilizador

Ações que descrevem o que o utilizador faz em cada etapa de um mapa de jornada e podem incluir várias evidências físicas. Relacionam-se tanto com as ações de frontstage como backstage, quando uma ação do utilizador desencadeia um dos processos, ou vice-versa. A linha de interação separa as ações do utilizador das ações de frontstage.

Ações de frontstage

Ações que ocorrem em interação com o utilizador e podem realizar-se entre humano-humano ou humano-máquina. A linha de visibilidade separa as ações de frontstage das de backstage.

Ações de backstage

Atividades feitas pelos funcionários de backstage, não visíveis ao utilizador. Podem ligar-se às ações de frontstage e aos processos de suporte. As linhas de interação interna são processos realizadow por outros departamentos e equipas.

Processos de suporte

Conjunto de atividades executadas por outras unidades da organização ou por parceiros externos. Podem desencadear ou ser desencadeados por ações do utilizador, de frontstage ou de backstage.

Formação

Onde posso aprender mais sobre service design?

O Instituto Nacional de Administração (INA) disponibiliza um leque de ações de formação para as entidades da Administração Pública (AP). Dentro da área de service design está disponível o curso:

Descrição da formação

A modernização da AP passa por serviços mais eficientes, acessíveis e centrados no cidadão.

Este curso prepara gestores de projeto e técnicos superiores para redesenharem processos e criar soluções inovadoras, aplicando metodologias práticas de service design.

O que vai aprender

  • Princípios e aplicações do design de serviços na transformação da AP
  • Técnicas para identificar necessidades de cidadãos e stakeholders
  • Métodos de pesquisa e análise de processos para fundamentar decisões
  • Desenvolvimento de protótipos e validação de hipóteses
  • Uso de metodologias ágeis e estratégias de cocriação
  • Medição de impacto através de métricas e indicadores
  • Aplicação dos Princípios do Mosaico no desenho de serviços digitais
  • Integração de dados e sistemas para maior eficiência e interoperabilidade
  • Normas e regulamentos da modernização administrativa

Resultados de aprendizagem

  • Capacitação para criar serviços públicos digitais mais úteis, simples e eficazes
  • Maior alinhamento com as estratégias nacionais de inovação e modernização
  • Melhoria contínua da experiência do cidadão e da eficiência organizacional

UX e service design

Qual a diferença entre as duas áreas?

É frequente questionar qual a diferença entre a experiência do utilizador (UX, do inglês User Experience) e o service design. No entanto, os dois conceitos fazem parte de um objetivo comum.

A UX abrange toda a interação do utilizador com um serviço, desde uma aplicação móvel, um website ou uma interface, até uma notificação no telemóvel, entre outros pontos de contacto.

O service design, por sua vez, centra-se no planeamento e na organização dos recursos da organização para responder de forma eficaz às necessidades dos utilizadores e melhorar a sua experiência, bem como a experiência dos funcionários que prestam o serviço.

Release 20.0 - 17/09/2025

Novo

Oferta formativa

Disponibilização de um conjunto de formações pertinentes pelo Instituto Nacional de Administração (INA) dentro da área técnica de Service Design.