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Definição

Do que trata esta área técnica?

A inteligência artificial (IA) refere-se a sistemas computacionais concebidos para executar tarefas que exigem inteligência humana, como a aprendizagem a partir de padrões, o raciocínio e a compreensão de linguagem natural. A operar com vários níveis de autonomia, estes sistemas geram resultados – como previsões, recomendações ou decisões – que influenciam os ambientes digital e físico. A capacidade de se adaptarem e melhorarem o desempenho de forma contínua, sem precisarem de programação explícita para cada tarefa, assenta em abordagens como a aprendizagem automática, a lógica e o conhecimento.

Benefícios

Por que é importante?

A aplicação da IA é uma oportunidade estratégica para modernizar serviços, aumentar a eficiência e melhorar a experiência das pessoas. Entre os principais benefícios destacam-se:

  • Automatização de tarefas repetitivas, o que liberta recursos humanos para funções de maior valor acrescentado
  • Melhoria na análise de dados, o que permite identificar padrões e tendências com maior precisão
  • Apoio à decisão, com base em modelos preditivos e simulações
  • Maior consistência e fiabilidade na execução de processos
  • Disponibilidade contínua, com sistemas operacionais 24/7
  • Promoção da inclusão, através de soluções acessíveis e adaptadas a diferentes públicos
  • Estímulo à inovação, com impacto positivo na economia e no emprego qualificado

Características

Como funciona a IA?

Os sistemas de IA operam com base em algoritmos avançados, como redes neurais, aprendizagem automática (machine learning) e aprendizagem profunda (deep learning). Estes sistemas são capazes de:

  • Recolher e interpretar dados em tempo real
  • Aprender com a experiência e ajustar o seu comportamento
  • Interagir com utilizadores e ambientes físicos ou digitais
  • Tomar decisões com base em objetivos definidos

A IA pode manifestar-se tanto em soluções digitais (como assistentes virtuais ou sistemas de recomendação) como em aplicações físicas (robôs ou veículos autónomos).

Riscos e implicações

Quais os principais riscos e implicações da IA?

Apesar do potencial transformador, a IA levanta preocupações legítimas. A sua adoção deve ser acompanhada de uma reflexão ética e legal, sobretudo em áreas sensíveis como justiça, saúde, educação ou segurança.

Entre os principais riscos estão:

  • Perda de privacidade e uso indevido de dados pessoais
  • Decisões enviesadas, resultantes de algoritmos treinados com dados incompletos ou discriminatórios
  • Falta de transparência, o que dificulta a compreensão e a contestação de decisões automatizadas
  • Impacto no emprego, com substituição de funções humanas por sistemas automatizados
  • Ameaças à democracia, quando usada para manipulação de informação ou vigilância em larga escala

Mitigar riscos

Como mitigar os riscos da IA?

As pessoas devem confiar nos sistemas com IA e nos benefícios para a sociedade, enquanto tomam medidas adequadas para mitigar os riscos.

Para garantir uma IA segura e confiável, é essencial adotar uma abordagem baseada em cinco dimensões fundamentais:

  1. Responsabilização: identificar os responsáveis por cada fase do ciclo de vida do sistema, desde o desenvolvimento à operação
  2. Transparência: assegurar que os processos e decisões dos sistemas de IA possam ser compreendidos e auditados
  3. Explicabilidade: garantir que os utilizadores compreendem, de forma clara e acessível, os principais fatores e critérios que influenciaram a decisão ou a recomendação gerada pelo sistema de IA
  4. Justiça:  garantir que os sistemas não discriminam e respeitam os direitos individuais e coletivos
  5. Ética: promover o uso da IA em conformidade com os valores democráticos, os direitos humanos e o bem comum

Estas dimensões devem estar presentes desde a conceção à implementação dos sistemas, e reforçadas por mecanismos de supervisão, auditoria e participação pública. Só assim é possível:

  • Garantir o controlo, a supervisão e a auditabilidade da tecnologia e dos algoritmos nos sistemas de IA
  • Permitir a consulta, a interpretação e a contestação das decisões tomadas pelos sistemas de IA
  • Assegurar a monitorização dos resultados obtidos pelos sistemas de IA e com acesso a mecanismos de notificação
  • Promover o envolvimento da sociedade no desenvolvimento e na implementação de IA
  • Atestar o desenvolvimento dos sistemas de IA com base em dados de qualidade, representativos e sem distorções
  • Garantir que os dados que alimentam os sistemas de IA são utilizados em conformidade com os regulamentos de proteção de dados

Estratégia

Qual a visão de IA em Portugal?

A IA tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante e estratégico no contexto nacional. A sua aplicação é visível em áreas como a saúde, a agricultura, educação, justiça, defesa e indústria, ao contribuir para soluções mais eficazes e sustentáveis em todas as dimensões da vida social e económica.

A adoção responsável da IA contribui para o crescimento económico e para o reforço da competitividade do país. Permite a modernização de processos, o desenvolvimento de novos produtos e serviços e a valorização do talento nacional. Em paralelo, impulsiona a investigação científica, a capacitação digital da população e o progresso tecnológico.

A Estratégia Digital Nacional (EDN), disponível em digital.gov.pt, integra esta visão e promove uma abordagem equilibrada, alinhada com o regulamento europeu AI Act. Esta abordagem conjuga a promoção da inovação com a salvaguarda dos direitos fundamentais, da segurança, da transparência e dos valores democráticos.

A Agenda Nacional para a Inteligência Artificial define um plano ambicioso para o desenvolvimento e a aplicação ética da IA em Portugal. A sua execução, que consta no Plano de Ação 2025-2026 da EDN, está organizada em três eixos principais: inovação, talento, infraestruturas. A agenda articula novas iniciativas com projetos já em curso na Administração Pública (AP) e está alinhada com as quatro dimensões da EDN: pessoas, empresas, Estado, infraestruturas.

Entre as ações prioritárias, destacam-se o desenvolvimento do primeiro modelo de linguagem em português, a criação de uma fábrica de IA com dimensão europeia, o reforço da capacidade computacional nacional, e a valorização das microcredenciais em competências digitais.

A EDN baseia-se em sete princípios orientadores: a confiança e a transparência; a inclusão e a igualdade; a sustentabilidade ambiental; segurança e proteção; ética; eficiência; colaboração. Estes princípios devem ser aplicados de forma transversal a todas as iniciativas de IA, ao assegurar que esta tecnologia é usada de forma ética, segura, centrada nas pessoas e ao serviço do bem comum.

Dimensões da IA

O que é importante saber?

A construção de uma IA responsável exige mais do que tecnologia: requer uma cultura de confiança, participação e responsabilidade. Os sistemas devem ser concebidos para respeitar os valores da sociedade, proteger os direitos fundamentais e promover o bem-estar coletivo.

É essencial que exista uma concordância entre a aplicação de sistemas de IA para assistência da sociedade e delegação de decisões, e os valores que definem uma sociedade.

A adoção de princípios éticos, como os definidos pela OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e pela Comissão Europeia, é essencial para garantir que a IA seja uma aliada da democracia, da justiça social e da inovação sustentável.

Um sistema com IA responsável dá mais garantias que utilizadores, empresas e Governos:

  • Não incorram ou sofram consequências associadas a distorções produzidas por sistemas inteligentes, que de alguma forma potenciem comportamentos diferentes dos planeados
  • Respeitem os valores éticos da sociedade em que se inserem

A reflexão para uma IA ética assume assim um papel fundamental, assente em conceitos que se materializam em sistemas baseados em técnicas adaptativas, sistemas inteligentes.

Ferramenta de avaliação

Como avaliar a qualidade dos sistemas IA?

A Ferramenta de Avaliação de Risco traduz os valores e princípios de IA responsável. A utilização desta ferramenta é um contributo valioso para antecipar e mitigar riscos em sistemas com IA de forma global e nas cinco dimensões. A ferramenta destina-se a todas as pessoas e entidades que pretendam avaliar riscos em projetos de IA, sistemas inteligentes ou algoritmos, ao longo do ciclo do projeto, quer na fase anterior à implementação, quer na fase posterior.

Formação

Onde posso aprender mais sobre IA?

O Instituto Nacional de Administração (INA) disponibiliza ações de formação para as entidades da AP. Na área da IA estão disponíveis os cursos:

Descrição das formações

A IA está a transformar a forma como os serviços públicos funcionam, ao criar oportunidades para simplificar processos, aumentar a eficiência e melhorar a resposta às pessoas.

Este curso prepara profissionais técnicos da AP para compreender e aplicar conceitos e ferramentas de IA em diferentes contextos organizacionais.

O que vai aprender

  • Princípios fundamentais da IA e de machine learning
  • Tecnologias, padrões e ferramentas usadas em projetos de IA
  • Boas práticas de integração da IA em sistemas e serviços públicos
  • Questões de segurança, privacidade e ética associadas à IA
  • Identificar oportunidades para aplicar IA na modernização dos serviços

Resultados de aprendizagem

  • Competências técnicas para implementar soluções de IA com impacto real
  • Maior eficiência e inovação nos serviços públicos
  • Apoio direto às metas de transformação digital da AP

Release 29.0 - 14/07/2026

Melhoria

GuIA Responsável para IA

Atualização do GuIA Responsável para IA na área técnica de inteligência artificial.